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O Preço Da Covardia. ''fabulas da historia: A Dama da noite''

  • Foto do escritor: Stephen Sampaio
    Stephen Sampaio
  • 26 de dez. de 2019
  • 10 min de leitura

Atualizado: 27 de abr. de 2020


Essa história nasceu pois a covardia e a prisão de seus desejos lhe cobrou o preço, o preço que foi muito caro. Esse homem era um músico que utilizava das músicas para encantar as mulheres, desde as moças mais inocentes até às com mais experiência por assim dizer. Certa vez em um bar, a moça fugia para beber novamente, essa taberna era localizada próximo ao vilarejo que era conhecido por suas famosas cervejas, em uma ida escondida a essa taberna, foi vista por esse bardo e seu grupo, ele tentou aproximar-se sem sucesso, pois ela só queria se divertir, não lhe dava atenção, então o bardo a chamou e perguntou;

- Essa linda moça é nova aqui?

Ela tímida, não demonstrou nenhuma reação, ignorando continuou a dançar, ele levantou as mãos como sinal de desistência e se afastou e continuou a tocar, a festa toda ele a olhava com um olhar discreto mas querendo conhecer-la, próximo a alvorada, ela saiu e ele a seguiu.

-porque acaso posso saber seu nome pelo menos?

-acredito que não irá desistir não é.

-nada me dá mais prazer nessa vida do que uma batalha, o coração de uma mulher as vezes é como uma guerra - diz ele com tom de ironia.

- Assim não saberá meu nome.

-Certo, me perdoe se te ofendi meu nome é bardo Richard e o seu é?

-julieta...senhorita Julieta para o senhor.

- certo senhora julieta., Aonde moras, meio perigoso uma dama sozinha esse horário, ainda não é nem a primeira parte do dia. Se me permite posso acompanhá-la até sua casa?

- Se deseja ser morto pelo meu pai, tudo bem.

- seu pai? Como assim?

- melhor não, ele é o tipo de pessoa que não aceita que sua filha ande com qualquer um.

- para alguém que não anda com qualquer um, você estava bem a vontade não é? - disse já meio irritado com a afronta.

- ora, muito abusado você em..

- Eu? Você ofende a quem lhe trouxe alegria e me chama de qualquer um e eu sou o abusado? Acho que a folgada e princesinha é você!

- passar bem. - saindo caminhando após alguns passos, ele com culpa, se aproxima e diz;

- me perdoe, fui grosso com você..

-...na verdade você está certo, desculpe, eu sou filha do conde, por isso prefiro voltar sozinha, ele não sabe ou pelo menos finge que não sabe sobre minhas fugas. 

-então lhe acompanho até o vilarejo, chegando lá a deixo em segurança.

-eu aceito sua companhia, mas não tente nada ou meu pai irá cuidar de você pessoalmente para cortar seu chocalho fora.

-curioso nome esse, já ouvi tantos mas esse é novo.

- ha ha ha melhor ficar quieto, vejo que a bebida está me atrapalhando um pouco.

Então a levou até a frente do vilarejo, ao chegar seu pai estava furioso, exigindo explicações e ao ver o homem acompanhando sua filha exigiu que  se explicasse ou seria morto.

-senhorita, por favor explique ao seu pai quem sou eu e o que fiz, ou ficarei sem meus "chocalhos"...

Ela soltou uma risada curta e cobriu sua boca e disse;

- ele é o músico que está na taverna ao norte, ele me acompanhou pois estava escuro.

O conde com a espada desembainhada, veio em direção ao bardo e ferozmente disse;

-Seu descobrir que tentou algo contra a minha filha, irei cortar a sua cabeça. 

Ele com a voz baixa acabou dizendo;

- Acredito que essa menina deva gostar de ver coisas sendo cortadas...

- o que você disse? - o conde raivoso mas logo acalmado por sua filha, como um cão adestrado, sendo acalmado por seu dono.

- Pai, eu estou bem, estou cansada é preciso descansar, ele me ajudou, ele merece um prêmio não uma decapitação.

- que prêmio você sugere?

- uma moeda de ouro.

- COMO?? EU TE...

-CALE-SE, POR MIM SEU SANGUE ESTARIA NA MINHA ESPADA ANTES MESMO DE VOCÊ TENTAR FUGIR.

O Bardo revoltado, pegou a sua moeda e saiu de lá. Esbravejando, com muita raiva falou para si mesmo;

-que desgraçada, mas vou aprontar com ela.

Então seguiu seu caminho até a taverna enquanto ela pensava sobre esse encontro.

Em alguns dias depois, ele enquanto tocava, olhou para a porta e viu ela entrando, seu coração disparou, um misto de raiva mas um sentimento brotava em seu coração. Ignorando-a, continuava a tocar alegremente, cantando canções, já ela, estava desconcertada, seu olhar transmitia vergonha pelo seu "prêmio", sem coragem de ir falar com ele, ignorando-o também, estava no balcão, debruçada e bebendo, aparentando mais do que apenas vergonha pelo que fez.

- Continuem tocando que eu vou lá.

- Você precisa controlar o que tem nas suas calças ou uma hora alguém vai..

-corta-lo...sim já ouvi isso antes.

Ele se aproximou e pediu vinho e algo para comer.

- temos carneiro, galinha ou faisão preferir. - falou com ironia o cozinheiro, pois sabia que não tinha dinheiro para pagar.

- fique calmo, irei cumprir com a minha palavra.

  Ao terminar de falar, risadas de ambos os lados do bar, caçoando e dizendo;

- Cumprir a palavra ha ha ha. 

- Acho que sua palavra é meio duvidosa.

- Vou pagar, aqui uma moeda de ouro. - colocando em cima da mesa e disse;

- isso foi um pagamento que recebi, um prêmio.

- Prêmio? Uma única moeda de ouro?

Ele então vira para a moça e diz;

- Tem pessoas que são mal agradecidas e fazem esse tipo de coisa.

Ela então falou;

- Me desculpe, tudo bem se está bravo não era minha intenção magoa-lo, aqui está o pagamento total, 50 moedas, guarde elas.

Ele rapidamente as amarrou na cintura com o saco vazio de moedas, velho e surrado que o acompanhava a tempos.

- Acho que a moça tem palavra.

-olha quem diz ha ha ha, uma bebida para nós dois.

Então festejaram e beberam, riram e conversaram.

Mas dessa vez ela não iria embora, pagou um quarto e o puxou pela mão e subiram, olhares se trocaram, já compreendiam o que iria fazer.

Esses encontros foram por dias, o sentimento dela crescia a cada dia mais, mas o dele era um misto de paixão com medo pois tinha receio de se envolver.

E mais de uns de seus encontros, seus corpos se encontravam, gemidos de prazer, ao perceber que se passava da primeira hora do dia, levantaram-se rápido e se vestiram, ouviram sons de vozes mas não era mais de festa e sim de questionamentos fervorosos.

- merda, meu pai mandou os soldados dele aqui, vá rápido e pule a janela, se os guardas te verem comigo...

- já sei, vou me esconder então.

Ao tentar pular, viu que em baixo tinha três guardas, dois de cavalo e outro próximo da entrada, então resolveu subir ao telhado por dentro e se deitar na ripa em cima dos quartos.

Os guardas foram subindo e conversando mas o medo e pavor era tanto que ele mal prestava atenção.

 Ao chegarem na porta, bateram e disseram;

- Senhorita, abra a porta por favor.

Ele não podia ver pois estava escondido.

- Senhorita, nós vamos entrar...

- aaaa- disse bocejando, O que foi?

-a senhora está bem, seu pai nos mandou buscar, temos que leva-se de volta.

-deixe me trocar e voltarei, esperem lá em baixo.

- Sim, senhora.

Eles então desceram esbravejando que deveriam estar vigiando o forte e não a filha festeira de um conde controlador.

Ela riu e chamou Richard.

-saia, eles já foram.

Ele então pulou no quarto a assustando. Ela acabou soltando um curto grito e os guardas ouviram e perguntaram;

- Está tudo bem senhorita, aconteceu algo, ouvimos um barulho.

Ela controlando o riso disse.

-Sim, eu..eu estou bem, já estou descendo.

Então os guardas se sentaram e esperaram até a descida dela.

Se despediram, ele esperou no quarto quando por cima voa a calcinha dela é a voz baixinha dizendo;

-receba seu prêmio.

Ele a pega como uma joia e guarda debaixo da cama.

Então ele coloca sua camisa e desce.

O dono do bar vira e vê ele com um olhar de repreensão e diz;

-uma hora... - logo Richard interrompe bruscamente e olhando para a porta e diz;

- vão me cortar alguma coisa, já sei.

- Eu iria dizer magoar essa moça, mas acredito que se fizer isso já sabe o lhe aconteceria.

Ele pensa na vida que ela imagina para ele, casamento, filhos. se imaginou em uma prisão familiar, em que deixaria sua vida de festas, alegria para uma vida monótona, aquilo fugiu do controle dele.

- Ela sabe quem eu sou.

- Ela sabe mas não deseja aceitar, você engana as que querem serem enganadas mas essa é realmente inocente.

- Fala como um sábio. - Disse ele ironicamente.

- Já ouvi todo tipo de histórias aqui, aprendi muito e uma coisa te digo, se você magoa-lá . . . garanto que a dor dela será imensamente dolorosa para você também.

 Ele se lembrou dos soldados, teve temor e pavor. Pagou pelo quarto e disse, apenas diga que fui embora e que minha vida não se limita a um simbolismo de união de pessoas, eu transcendo essas ideias, que se ela me ama deixará eu livre.

  O Dono do bar apenas olha com o olhar de reprovação, estende sua mão e pega o pagamento e diz;

- Sai...

Ele com um pouco de culpa sai, mas pensa assim;

Ela vai compreender, ela sabe que sou uma pessoa livre, como um pássaro, não posso ser engaiolado.

Ele ao caminhar vê seu grupo de músicos e os acompanha e ouve a voz de um deles;

- Mais uma, mais uma...

- Fique quieto e dirija.

Todos estranharam, era sempre um homem que se vangloriava de falar de suas mulheres, agora bravo por falar mais uma.

- Acho que a dama mexeu com esse pobre e mísero vagabundo. - soltando uma risada o grupo e ele sem reação, olhando para o nada, Pensando como ela reagiria a notícia.

Após algumas semanas na taverna, a garota descobre a fuga dele, estava grávida.

O coração dela estava em pedaços, não sabia o que fazer, voltou para casa extremamente triste com Richard. Seu pai estava furioso, a alertava pois sabia que isso poderia acontecer, comprava os melhores vestidos, mas a tristeza era maior, nada a alegrava, nem o sabor das receitas de tortas da sua família que tanto amava, após algumas semanas adoeceu e logo faleceu.

   Seu pai em prantos, ao lado da filha, ofereceu um baú cheio de ouro para o homem que trouxesse o bardo que abusou de sua filha.

- Mas traga-o vivo ... POIS EU IREI MATA-LO, QUEM TRAZE-LO AQUI TERÁ MINHA ETERNA GRATIDÃO. - Os olhos de quem recebia a oferta brilhavam como dois diamantes.

Todo circo, grupos teatrais, tinha alguém perguntando, ao chegar no grupo do bardo, os músicos alertaram;

- Ele voltou ao vilarejo, foi atrás dela.

Então o mercenário pegou seu cavalo e correu atrás dele.

Ao passar dois dias de viagem o encontrou, chegou por trás e o desmaiou.

Cavalgou um dia inteiro, quando ele acordou, percebeu quem tinha o mandado e gemia, não podia falar pois estava amordaçado.

Ao chegar na casa do conde estava em um cercado aonde ficava os bois e cavalos mas lá só tinha o mercenário que o trouxe.

- pegue seu baú, e saia. Ele vai pagar.

O mercenário saiu e veio o barão, seus olhos vermelhos de ódio, furioso.

- Desgraçado, abusou da minha filha e a abandonou.

-Calma senhor, eu voltei para encontrá-la, irei explicar esse mal entendido.

Ele ajoelhado, na posição que o havia deixado, tomou um chute na boca do estômago, lhe faltando ar.

- Quer ver ela seu puto, vou te levar, desgraçado.

Richard ao retomar o fôlego disse;

-Calma, eu...eu prometo que...que eu vou casar com ela.

-Promete? CASAR??? SEU FILHO DA PUTA!!!

Um chute tão forte que o nocauteia.

O conde entrando na cidade com o bardo nocauteado na traseira de seu cavalo, uma grande chuva e a população o observava espantada e abrindo caminho. Seus olhos lacrimejavam de raiva e tristeza, já pensava em ver a cabeça do bardo que usou sua filha ao lado do seu túmulo, molhando a terra com seu sangue como pagamento de sua morte.

Após um tempo, ele retoma a consciência e pensa;

- Se eu não morrer eu caso com ela e tomo juízo, ela vale o sacrif...  - Sem terminar o pensamento viu a placa em cima dele.

CEMITÉRIO...

seu coração gelou...

Então foi em um túmulo mais belo que tinha em todo o cemitério, túmulo de marfim, o nome estava coberto por flores, flores brancas.

Ele é retirado e jogado ao lado do túmulo, sem perceber, é retirado a mordaça e diz;

- Eu iria ver sua filha, eu me arrependo do que fiz, eu quero viver com ela, fui extremamente egoísta ao pensar que vivia livre porquê não queria me casar mas não entendia que eu era escravo dos desejos. - Enquanto falava ele não pode controlar o choro, suas palavras soavam verdade é continuou - ...eu me apaixonei, as festas não eram as mesmas sem ela, não me deitei com mulher alguma.

O conde com fúria conta o que houve enquanto ele estava fora, a tristeza, a angustia doença e morte.

Os olhos dele paralisaram, seu coração parou, um frio se bateu sobre ele, Como um soco no estômago, cada palavra do conde era uma fisgada em seu coração.

Ele então aceitando seu destino disse;

- Então faça o que tem que...ser feito. Eu fui covarde, escravo da carne, ela era linda, moça singela é pura, a alegria da festa, essa espada pode matar meu corpo mas minha alma está morta já.

O conde vendo sua dor, foi ao túmulo e retirou com paciência as flores, cortou as cordas e o levantou e mostrou o túmulo.

Ao ver o túmulo, viu o rosto dela, entalhado. Seu rosto estava perfeitamente desenhado, como se ela estivesse sido transformada em marfim.

 As lágrimas escorrendo de seu rosto, ele tocando o rosto de marfim disse;

- me perdoa, eu deixo você brigar comigo, ser a princesinha. Mas não me abandone, fui o covarde de sempre, mas por favor não vá, se existe alguém em cima, leve a mim, e não a ela, ela era justa, amável e alegre.

- Acho que a morte é muito boa para você, viva com sua culpa, isso é o que você merece.

Ele o ignorava enquanto tocava no túmulo. A covardia havia cobrado seu preço.

Após longo tempo adormeceu no chão ao lado do belo túmulo, se levantou e foi aonde a conheceu. 

Chegando lá viu o dono do bar, o ignorava, todos o ignoravam, sabiam o que havia acontecido.

- Eu sei, SOU A PORRA DE UM COVARDE, UM MERDA QUE PREFERIU NAO CONTROLAR O PROPRIO PINTO DO QUE TER UMA MULHER MARAVILHOSA AO SEU LADO, JA ESTOU PAGANDO PELO MEU ERRO, NÃO PRECISAM FALAR NADA.

- Infelizmente você aprendeu do pior jeito.

- Eu precisava beber mas não tenho dinheiro - com um leve riso mergulhado de tristeza.

-Tome aqui, por conta da casa.

Ao bater a mão na bolsa ouviu o som das moedas, ainda havia lhe sobrado duas moedas, e algumas de prata, pagou a cerveja e pediu o quarto.

Ao subiu lhe veio todas as noites.

Entrou e o cheiro era extremamente forte, como se nunca havia saído de lá, o perfume dela estava lá.

- Acho que a vida sabe ensinar como ninguém..

Ele se deita e lembra do presente. Ele levanta e esta la, aonde foi deixado, a calcinha dela.

As lágrimas escorreram como nunca antes, todos ouviram o choro, a dor em seu peito era tamanha que fez algo que não deveria.

Tirou a sua vida.

Desde lá é dito que a covardia é amiga do desejo. 

 
 
 

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2 comentários


Stephen Sampaio
Stephen Sampaio
08 de abr. de 2020

Eu vou alterar pq eu não gostei dessa história e vou mudar certas coisas.

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Stephen Sampaio
Stephen Sampaio
19 de fev. de 2020

Aos que leram, por favor coloquem sua opinião criando uma conta e interagindo, isso me ajuda a melhorar e desenvolver cada vez mais.

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